terça-feira, 19 de junho de 2012

Relacionamento – fonte de autoconhecimento

por Enildes Corrêa
"A menos que você chegue àquele ponto de preenchimento dentro de si, não há nenhuma possibilidade de encontrar satisfação em algo ou em alguém fora de você. Se não entendermos como nos relacionar conosco, não haverá jeito de nos relacionarmos com o outro."
Kiran Kanakia                                                                                                         
"Você perdeu a si mesmo. Você está se procurando. Você está procurando a si mesmo nos olhos de todos que você encontra."        
 Kiran Kanakia  
"O amor não é o seu problema. Seu problema é que você não tem sido capaz de se aceitar, firmando-se sobre seus pés, respeitando a si mesmo, fazendo algo que você possa sentir que tenha sido valioso. Seu mérito deve estar dentro de você e não ser doado por alguém. Um mérito emprestado é perigoso; a pessoa pode tomá-lo de volta. E isto vai acontecendo nos assim chamados casos amorosos. Somente uma pessoa independente pode amar e ser amada. E o amor não vai criar nenhum problema para ela."                    Osho
É um desejo coletivo que os relacionamentos amorosos sejam uma fonte de bem-estar individual, do nível físico ao espiritual, porém é uma ilusão pensar que o outro possa ser a nossa fonte maior de satisfação. 

Comecemos por olhar a questão sexual.
Se o nosso corpo, por exemplo, está amordaçado por uma infinidade de tensões, tolhido por bloqueios emocionais, por condicionamentos impostos desde a infância, que inibem a capacidade de entrega e de sentir prazer, como querer que o outro seja o único responsável pelo nosso prazer ou desprazer? 

Normalmente, a maioria das pessoas coloca nas costas do parceiro essa responsabilidade, deixando-se fora do processo. E aí fica tudo muito simples, não? O outro é o culpado pelas dificuldades do relacionamento. Assim, não há necessidade de investigar-se, de se conhecer, de admitir as próprias falhas e limites, às vezes constrangedores. 

Logo, se o outro é responsabilizado pelos problemas com que a pessoa se depara, uma solução bem simplificada parece ser a troca de parceiro. Ir por esse caminho pode começar uma via-sacra interminável em busca do parceiro ideal. 

Porém essa escolha certamente levará a muitas frustrações, pois, se a busca pelo encontro for somente externa, inevitavelmente, criará um desencontro e um distanciamento do universo interior. E o vazio da própria presença ninguém pode preencher. 

Se quisermos viver a plenitude de um relacionamento, é necessário, prioritariamente, um caminho que nos leve para dentro e conduza ao autoconhecimento, a uma intimidade e familiaridade conosco, que passa por conhecer o próprio corpo, as emoções, sentimentos, humores. Em primeiro lugar, precisamos aprender a nos relacionar conosco de forma harmoniosa. 

Se o nosso corpo é um estranho para nós, que dirá o corpo do outro! E quanto às emoções? Se não entendermos as nossas, como compreender as das demais pessoas? Como nos relacionar harmonicamente com quem quer que seja se a nossa relação interna é tensa, desamorosa, desequilibrada? Uma coisa é consequência da outra. As relações externas revelam muito a respeito de como alguém se trata e se relaciona consigo. 

Por outro lado, se temos um contato interno forte, ganhamos autoconfiança, clareza de visão, consciência. Torna-se mais fácil saber que tipo de pessoa queremos ou não para estar junto conosco. Saímos da dependência de, obrigatoriamente, ter alguém conosco o tempo todo para a vida ter sentido. Dessa forma, se estamos em um relacionamento afetivo saudável, é ótimo – um presente. Mas, se estamos sozinhos, também é bom. Alguém já disse que “a solidão é um chão onde todos deveriam plantar”. Estar só é uma excelente oportunidade para descobrir o valor e a riqueza da própria companhia. 

Nessas condições, o encontro com o outro também terá uma qualidade diferenciada. Não faremos de ninguém uma muleta, da qual precisamos para mudar os passos. O relacionamento será um compartilhar de ser para ser, baseado na amizade, liberdade, honestidade, no diálogo e no respeito recíprocos. E os eventuais conflitos que surgem, mesmo nas relações mais harmônicas, serão bem mais fáceis de serem resolvidos, transformando-se, inclusive, em crescimento espiritual para as partes envolvidas. 

Sábias são as palavras de Kiran Kanakia: 
Você pode ir procurando fora e ficar culpando os outros por não terem lhe dado realização. Você pode continuar tentando coisas diferentes, pessoas diferentes, relacionamentos diferentes, mas não vai ser preenchido, porque você está em algum lugar se movendo pelos desejos da mente. Se você está preenchido internamente, o amor está acontecendo dentro de si. Então é muito fácil e você pode ficar satisfeito com um parceiro ou com vários relacionamentos. Mas daí ele não vai vir do seu ponto de desejo. Assim, cada relacionamento é um ponto de preenchimento. Mas, nesse caso, a vida decidirá. Você não estará decidindo, não estará procurando, mas a vida estará mandando para você. 

Enildes Corrêa é Administradora e Terapeuta Corporal Ayurveda. Ministra seminários e palestras vivenciais a organizações governamentais e privadas na área de Qualidade de Vida e Humanização da Convivência. 

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