sábado, 7 de abril de 2012

Ondas Verdes de Cuiabá

por Enildes Corrêa

“Uma vez ou outra, você pode estar completamente afogado no Todo. E isto lhe dará nova vida. Esteja no presente e você ficará surpreso por não haver nenhum tédio.” Osho

Uma das coisas boas que acontece quando viajamos é conhecer pessoas e fazer novos amigos. Este ano, tive a grata satisfação de receber a visita de alguns amigos estrangeiros. Levei-os para conhecer a cidade dos cuiabanos, num momento em que eu havia estado vários meses distante do Brasil. Saudosa do aconchego da família e do meu lar, vi a minha terra-mãe com olhos de quem a via pela primeira vez. À medida que andávamos, para minha surpresa, percebia que eu, uma cuiabana de “chapa e cruz”, redescobria Cuiabá e gostava ainda mais de tudo o que os meus olhos contemplavam. 

Olhava-a sem compará-la com outras cidades, sem julgamentos. Um olhar singular que viu a unicidade e a beleza da minha terra natal após ter viajado por outros continentes, visto diversas outras paisagens e convivido com pessoas das mais diferentes nacionalidades. Ao rever Cuiabá, entretanto, enxerguei-a tão mais viva e colorida! Questionei-me, então: o que mudou? Mudou Cuiabá ou mudou o meu olhar? O verde intensificou seu tom nesta cidade ou foi a cor da esperança, da renovação e – por que não dizer – da ressurreição que se expandiu mais em mim? 

E este olhar de quem vê, pela primeira vez, a paisagem ao meu redor tem se apresentado todos os dias quando ando pelas ruas adornadas pela presença das árvores que compõem o visual da capital mato-grossense, um lugar onde o brilho do sol aparece, praticamente, todos os dias do ano, não dando espaço para a cor cinza ocupar o nosso céu. Reencontro a mim mesma e revitalizo-me diante da paisagem ensolarada e brilhante de Cuiabá. Definitivamente, dias cinzentos e frios, que às vezes deixam as pessoas melancólicas e tristes, são raros nesta cidade. 

Ao contemplar o movimento das árvores, tenho a impressão de termos aqui um mar de ondas verdes. Quando as folhas se movimentam pelo soprar do vento, parecem ondas do mar num eterno ir e vir, deslizando relaxadamente suas folhagens no ar. 

Na capital de Mato Grosso, não temos o som das ondas do mar quebrando nas praias, mas temos o som do encontro das folhas com o vento em cada esquina desta Cidade Verde. Que sensação de conforto sinto ao olhar as ondas verdes de Cuiabá! Mergulhada na observação desses movimentos, de repente, algumas espécies tomam forma aos meus olhos de imensos pássaros que abrem suas asas em direção ao céu. E eu, silenciosamente, pego uma carona no voo das árvores para o alto e deixo-me contagiar pela leveza das asas verdes de Cuiabá. 

Hoje, compreendo que, quando estamos abertos e receptivos à vida, a beleza e o encanto de cada lugar, assim como de cada pessoa, revelam-se diante de nossos olhos, naturalmente. Haverá sempre um ângulo em que o belo poderá ser desvendado... Com os olhos abertos, descobrimos nas pessoas que encontramos e nos lugares por onde andamos, as dimensões além das aparências, além do conhecido. 

Quem vive em Cuiabá, só mesmo se ficar com os olhos vendados para não ver o chamado da vida contido nos dias ensolarados de céu azul, no verde das árvores e no calor humano que jorra dos corações do povo cuiabano, que surpreende e cativa os visitantes. 


20/10/2005 

ENILDES CORRÊA é Administradora e Terapeuta Corporal Ayurveda. Prof. de Yoga. Ministra seminários vivenciais na área de Qualidade de Vida e Humanização da Convivência. Autora do livro Vida em Palavras.
E-mail: omsaraas@terra.com.br


1 comentários:

  1. Parabéns pelas postagens Enildes! Muito bom... amei! Você é pura energia! Grande beijo,
    Liliane Félix

    ResponderExcluir