quinta-feira, 1 de março de 2012

O Caminho da Humanização

por Enildes Corrêa - omsaraas@terra.com.br                                                 

“A pessoa ignorante é alguém que vai ignorando alguma coisa essencial. Ela é ignorante porque está ignorando a coisa mais fundamental na vida: ela está ignorando a si mesma. Ela está se mantendo ocupada com o não essencial. Perdeu a trilha do próprio eu. Esqueceu-se da sua realidade e tornou-se um com alguma coisa que ela não é”.  Osho
imagem: Google
Atualmente, muito se tem falado na necessidade de humanizar as organizações e a sociedade de modo geral.  Humanizar quer dizer: elevar à altura do homem.  Relativo ao homem: o corpo humano; a espécie humana. Sensível à piedade, compassivo: mostrar-se humano com seus semelhantes.

A lógica nos faz raciocinar que se é necessário humanizar, significa que algo está em desacordo com a natureza que nos qualifica como seres humanos. Então, há que se olhar e investigar na direção daquilo que está em oposição à condição essencial que nos caracteriza como Gente.  Desse modo, as pessoas devem ser o centro de atenção de qualquer processo de humanização.

A humanização requer uma abordagem ampla e sensível. Fazem-se necessárias profundas mudanças na vida das instituições: valores, cultura, postura etc. As instituições são feitas de pessoas e as mudanças reais e consistentes acontecem somente e tão somente, quando elas mudam. Mudar os procedimentos externos e administrativos sem que haja mudança de mentalidade dos indivíduos que as compõem produzirão apenas alterações superficiais. 

Ao olhar e testemunhar fatos que revelam comportamentos desumanizados, ou seja, sem amizade e compaixão pelo próximo e por outras espécies de vida, em maior ou menor grau, onde quer que se apresentem, deparamo-nos com suas principais causas: a ignorância, a insensibilidade, o egoísmo e a ganância presentes na mente do homem. Essa miséria interior é tão triste quanto a exterior. Lamentavelmente, poucos a veem ou se dão conta da sua existência em si mesmos, o que impossibilita um processo de autoconhecimento e transformação.

Quantas vezes já nos fizemos esta pergunta: como é possível, por exemplo, os líderes políticos não se comoverem com as condições de vida crueis e desiguais para a espécie humana? Eles salvam bancos, grandes empresas, mas não se empenham em salvar vidas em colapso. Mais de 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo. O homem foi à Lua, mas não cuidou da eliminação da fome no planeta em que vive....

Aqueles que agem de modo insensível e desamoroso revelam que em algum ponto de suas vidas, cortaram os laços e a conexão com o sagrado mundo interior. Por isso, a expressão que nos é muito comum ouvir: “falta alma àquela pessoa”.  A ignorância faz as pessoas se distanciarem da sua melhor parte e cometerem atos indignos e impróprios à condição humana; o melhor seria dizer:  a nossa condição e natureza Divina.

Tudo é resultado da ação do homem no ambiente em que vive, seja a ordem ou o caos.  Então, como podemos falar em ações humanizadas sem passar, necessariamente, pela condição da qualidade de ser de cada indivíduo? Todavia, há resistências na aceitação dessa verdade.

Se o egoísmo, a ganância e o apego ao poder fossem dissolvidos e brotassem no coração da maioria dos seres humanos o sentimento de amizade, a vontade de cooperar, o espírito de solidariedade e fraternidade, seguramente, não precisaríamos presenciar, em nenhum lugar, cenas desumanas que chocam os nossos olhos, as quais humilham e sacrificam os nossos semelhantes.

O caminho da humanização, em seu aspecto mais amplo e nobre, passa pela sensibilização, valorização e pelo redespertar de todos nós para a vida. Só o ser sensível, consciente, fraterno, compassivo, de fato conectado com a vida (interna e externa), poderá agir com humanidade e amor em seu coração. 


Dessa forma, espontaneamente, nossos atos serão pautados pela ética, pelo respeito e consideração por nós mesmos, pelo próximo e pelo meio em que vivemos. Nesse sentido, seria mais apropriado falarmos em divinização ao invés de humanização.  O Amor manifestado em nossos corações faz de todos nós um Templo de Deus. 

Neste momento, como disse um amigo, a humanidade pede socorro, pois a desumanidade dos “humanos” está colocando em risco a vida sustentável na Terra. Seria de grande valia se todos compreendessem que no campo da energia somos um só, que não existe separação na nossa expressão mais sutil. O homem não é uma ilha. O Mestre Osho nos diz: “Somos todos parte de uma única força vital – parte de uma única existência oceânica.  Nas profundezas de nossas raízes somos um só. Não importa quem você esteja ferindo, no final das contas você está ferindo a si mesmo... A não violência resulta desta compreensão.”

ENILDES CORRÊA é Administradora, terapeuta orporal Ayurveda e professora de Yoga. Ministra seminários vivenciais de Humanização da Convivência a organizações governamentais e privadas. Autora do livro Vida em Palavras. 
  

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