terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Diwali – Celebração de Luzes e Cores


por Enildes Corrêa
"Nós temos de viver de maneira muito celebrativa. Esse é o compromisso de todos nós com a vida. E isso é o que nós temos esquecido. Conecte-se com a vida. E, a não ser que você aceite a vida, não há maneira de conectar-se com ela".                  Kiran Kanakia
"Ver luz dentro de si mesmo e também dentro dos outros é viver o tempo todo cercado de um festival de luzes". Osho
Natal é um período em que é agradável  passear pela cidade e apreciar a decoração de luzes. Quanto mais luz, mais atraídos ficam os nossos olhos. Sentimos vontade de, simplesmente, parar e apreciar os locais decorados por cortinas, cascatas e contornos de luzes. A luz exerce atração e fascínio sobre nós, seres humanos, não é? Por isso os grandes mestres espirituais da humanidade nos atraem de forma irresistível, pois são Seres repletos de Luz.

Há algum anos, ao passear com o meu neto pelas ruas iluminadas de Cuiabá, surpreendi-me com as palavras do meu “Pequeno Buda”, forma carinhosa como costumo chamá-lo:  , as luzes vão acender todas na noite de Natal”. Fez uma curta pausa e prosseguiu, olhando-me com os seus lindos e brilhantes olhos azuis: “Eu também vou ficar cheio de luz”. E a sua fala foi totalmente espontânea. Ele fez a conexão das luzes lá fora com o mundo interno. Inocentemente, falou uma verdade, que exprime o espírito de Natal. Quantos de nós relacionam a iluminação da decoração natalina com a luz dentro de si?

Reportei-me à conversa que tive com Kiran Kanakia, na noite de Diwali, em outubro de 2003, em  Poona, Índia. Diwali  é o último dia do ano do calendário Vikram, um dos calendários hindus. Normalmente, viajo para a  Índia em dezembro, mas, no ano de 2003,  fui mais cedo e tive a feliz oportunidade de passar lá essa data em que acontecem várias e importantes celebrações religiosas do hinduísmo. Recordo-me de que desembarquei em Mumbai no dia 5 de setembro, à noite.  Naquele  dia, celebrava-se o Festival de Ganesh – o Deus da Boa Sorte (aquele com rosto de elefante), padroeiro da cidade de Mumbai. Qual não foi minha surpresa ao ver a cidade toda iluminada e muita gente nas ruas. 

Diante daquela visão luminosa e inesperada, acabando de chegar de uma longa viagem,  tudo parecia um sonho. Por pura coincidência, havia chegado à Índia em data tão especial. Pensei: que bom presságio para esta minha chegada!  

Foram muitas as celebrações religiosas a que assisti naquele período. A que mais me impressionou foi o Festival do Diwali, que significa celebração de luz e  simboliza o triunfo da luz sobre a escuridão.

A Índia é um país religioso e a celebração do Ano Novo hindu revela esse direcionamento espiritual. No dia do Diwali, os hindus oram, meditam e fazem pujas – oferendas espirituais – à Deusa Lakshmi, homenageada nessa data. Lakshmi é a deusa da luz, felicidade, riqueza e beleza. O perfume dos incensos e das flores está presente  por onde quer que passemos. E o som dos fogos de artifício é ouvido a noite toda.

Nessa data, os parentes e amigos se encontram,  trocam presentes, vestem roupas novas, comem e repartem doces. Visitei Kiran e sua família no dia do Diwali. Ele explicou-me o significado dessa celebração de luzes e cores. Nos  tempos antigos, era o reflexo do contentamento interior, a expressão da  celebração interna,  atualmente, havia se tornado um ritual. E, quando as pessoas têm que seguir a tradição, não há alegria para ser refletida. Dessa  forma, disse ele, a comemoração havia perdido muito do significado original.

Seja como for, pelo que eu vivenciei naquele inesquecível dia em Poona, percebi a força espiritual que reina no ambiente quando milhares de pessoas se unem em prece e meditação. A energia no dia do Diwali  é muito forte e especial, favorece uma abertura espiritual, principalmente se estivermos na presença de um Ser Desperto, que é uma Fonte pura de Luz e Amor.

É lastimável que, no Ocidente, as comemorações de fim de ano tenham sido esvaziadas pela visão extremamente materialista. Prevalece muito mais o aspecto material e consumista no Natal do que a celebração do verdadeiro espírito natalino. A área econômica do mundo ocidental conseguiu, inclusive, substituir o Menino Jesus pela figura do Papai Noel.

Mas deixando de lado as  minhas memórias da Índia e as comparações de diferentes tradições, desejo ao leitor Feliz Natal e que o Ano Novo seja uma contínua celebração de luzes e cores, tal qual o Diwali dos hindus. Que cada um de nós coopere com a vida para a vitória da luz, abrindo-se para a devida compreensão que permite a todos acenderem a própria chama e ser uma fonte de luz para si e para o ambiente ao seu redor. 

Namastê!

BENEDITA ENILDES DE CAMPOS CORRÊA é Administradora e Terapeuta Corporal Ayurveda.  Ministra palestras e seminários vivenciais a organizações governamentais e privadas. 

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